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O Que Você Precisa Saber sobre a Doença de Chagas?



Muitos insetos se tornaram conhecidos por transmitirem doenças aos seres humanos, algumas delas, inclusive, podem evoluir para um estado grave e letal. Um desses temidos insetos é o barbeiro (triatomíneo), que quando infectado pelo parasita Trypanosoma cruzi, é o agente transmissor da doença de chagas.


Para que você possa entender melhor sobre essa doença, vamos começar falando sobre as formas de transmissão dela, para então falarmos sobre o que o protozoário causa no corpo humano.


Vamos lá?


A forma de transmissão mais comum é através da entrada das fezes do inseto no corpo humano. Parece estranho, não é? Como as fezes de um inseto podem parar dentro do corpo de uma pessoa?


O que acontece é que, quando esse inseto pica uma pessoa, ao mesmo tempo ele elimina fezes no local. A picada causa coceira, e quando a pessoa coça a região, acaba por levar as fezes até a ferida causada pela picada, e através daquela ferida é que as fezes do barbeiro com o Trypanosoma cruzi entram no corpo humano.


Isso pode acontecer sem que a pessoa sequer perceba, como por exemplo, durante o sono, já que o barbeiro tem hábitos noturnos.


Curiosidade: Para que a transmissão da doença de chagas ocorra, o barbeiro precisa estar infectado com o Trypanosoma cruzi, e essa infecção do inseto ocorre, normalmente, quando ele pica um animal infectado, normalmente gambás, ratos ou outros animais.


Além da entrada através da picada do inseto, uma pessoa pode se contaminar com o parasita de outras formas. Uma delas, que inclusive foi alerta em alguns estados do Brasil na década passada, é a infecção oral através de alimentos ou bebidas contaminados.


Esses casos normalmente envolvem a cana de açúcar e o açaí. O que acontece é que o barbeiro pode fazer ninhos nas plantações e ficarem grudados na superfície da cana ou do açaí, se ambos não forem devidamente higienizados e conferidos antes de serem moídos, o inseto pode ser moído junto a eles e assim contaminar quem beber o caldo de cana ou ingerir o açaí moído.


A ingestão de carne crua ou mal cozida de animais silvestres infectados também é uma forma de infecção.


Uma vez que o parasita entra no corpo humano, ele invade a corrente sanguínea e sai em direção a vários órgãos.


Por isso, a transmissão pode também ocorrer por meio da doação de sangue ou doação de órgãos, quando partem de um doador infectado para um receptor saudável. No entanto, a transmissão por doação sanguínea é praticamente inexistente ou muito rara nos dias atuais, pois o sangue doado passa por testes para detectar a presença do parasita causador da doença.


Uma mulher gestante pode também infectar o bebê durante a gestação ou durante o parto, esse tipo de transmissão é chamado de “transmissão vertical”. Quando isso acontece, o parasita pode chegar a causar o aborto espontâneo do feto, o falecimento do feto antes ou durante o trabalho de parto ou ainda problemas sérios de saúde ao bebê recém-nascido.


Existe ainda a chamada “transmissão acidental”, que ocorre quando, acidentalmente, há o contato de uma ferida na pele ou das mucosas com material contaminado por Trypanosoma cruzi durante manipulação em laboratório ou durante atividade de caça de animais e manipulação de carne de um animal contaminado.


Período de incubação


O período de incubação da doença depende diretamente de como ocorreu a transmissão para a pessoa. Veja abaixo:


  • Transmissão através da entrada do parasita após a picada do barbeiro: de 4 a 15 dias;

  • Transmissão por transfusão de sangue ou transplante de órgãos: de 30 a 40 dias ou mais;

  • Transmissão por ingestão de alimentos ou bebidas contaminadas: de 3 a 22 dias;

  • Transmissão da mãe gestante para o bebê: de 4 a 15 dias (aproximadamente);

  • Transmissão acidental: até 20 dias (aproximadamente).


Sintomas


Se a transmissão ocorreu após a picada do barbeiro, é comum que haja inchaço na região e, caso a picada tenha sido na pálpebra, a formação de um inchaço no olho conhecido como “sinal de Romanã”.


Após o período de incubação, a doença começa a se desenvolver em sua fase aguda, onde a pessoa pode continuar assintomática ou apresentar sintomas como:


  • Febre prolongada por mais de uma semana;

  • Dor de cabeça;

  • Fraqueza intensa;

  • Inchaço no rosto e pernas;

  • Aumento do baço e do fígado;

  • Aumento de tamanho e dor nos gânglios;

  • Distúrbios cardíacos.


Meningite e encefalite são complicações que podem acontecer durante essa fase.


Em algumas pessoas, principalmente crianças ou pessoas com imunidade baixa, a fase aguda pode ser fatal devido à infecção grave de alguns órgãos, como o coração.


Se uma pessoa não for tratada na fase aguda e não apresentar piora significativa dos sintomas, pode entrar em um estado de latência ou de não manifestação da doença, que é quando o parasita já se instalou em alguns órgãos, mas os sintomas da fase aguda desapareceram e a pessoa segue assintomática, esse estado pode durar anos ou até mesmo toda a vida.


Após o estado de latência, a pessoa infectada apresenta a fase crônica da doença, na qual o coração, o esôfago e o intestino são severamente afetados, pois o parasita ficou instalado na musculatura dos órgãos, comprometendo-as por bastante tempo e causando sérias lesões, que na fase crônica estão sendo sentidas em forma de sintomas e complicações.


Nessa fase, problemas cardíacos e digestivos começam a surgir, tais como:


  • Dilatação do coração;

  • Dilatação do estômago;

  • Dilatação do cólon, no intestino grosso, que provoca a retenção das fezes;

  • Dilatação do esôfago, que provoca o refluxo dos alimentos ingeridos.


O coração dilatado faz com que as pessoas sintam cansaço com frequência e sintam falta de ar, podendo causar desmaios, insuficiência cardíaca, arritmias e até mesmo parada cardíaca súbita.


Diagnóstico


Para o diagnostico, são analisados os sintomas característicos da doença e o paciente deve informar ao médico caso tenha viajado para uma área onde há relatos de presença do inseto transmissor ou resida em uma área assim, caso se recorde de ter notado um inchaço na pele ou nos olhos, caso tenha recebido uma transfusão de sangue antes de 1992, ou caso tenha sido diagnosticada doença de chagas em algum familiar, principalmente na mãe.


Para a confirmação do diagnóstico, deve ser realizado um exame de sangue parasitológico e/ou sorológico, de acordo com o estágio da doença e com a indicação do médico.


Tratamento


O tratamento da doença de chagas é medicamentoso, com o uso de medicamentos antiparasitários. O benznidazol é usado como principal, e o nifurtimox é usado como alternativa caso o paciente não responda ao primeiro medicamento ou seja intolerante a ele.


Em casos de complicações cardíacas ou digestivas, as pessoas devem receber o devido acompanhamento e tratamento para as complicações causadas pela doença de chagas.


É importante lembrar que as lesões causadas nos órgãos pelo parasita não são reversíveis, o que pode haver é o controle das complicações e o uso de medidas preventivas para evitá-las.


Em alguns casos, quando as lesões cardíacas são muito graves, pode ser necessário o transplante de coração.


Prevenção


A principal medida de prevenção é evitar o inseto.


Os barbeiros costumam se colonizar em casas de estuque, taipa, sapê, pau-a-pique, madeira, e outros modos de construção similares.


Se uma pessoa reside ou passa por uma região onde há casas com essas construídas com esses materiais, é necessário ter muito cuidado com os ninhos do inseto.


Se uma pessoa encontrar o barbeiro, o Ministério da Saúde trás as seguintes recomendações:


  • Não esmagar, apertar, bater ou danificar o inseto de qualquer forma;

  • Proteger a mão com luva ou saco plástico;

  • Colocar com cuidado o inseto em recipientes plásticos, com tampa de rosca para evitar a fuga;

  • Cada inseto coletado deve ir para um frasco diferente, informando o local onde foi encontrado, endereço, data e pessoa responsável pela coleta.


Em relação ao consumo de alimentos contaminados, a recomendação é:


  • As canas de açúcar, açaí, e demais alimentos similares devem ser devidamente verificados e higienizados antes de serem moídos, para evitar que insetos sejam moídos junto;

  • Deve ser evitado o consumo de carne mal cozida ou “mal passada”;

  • Lâmpadas não devem ser instaladas muito próximas às máquinas de processamento de alimentos, uma vez que alguns insetos são atraídos pela luz e podem acabar caindo nessas máquinas junto aos alimentos;

  • A vigilância sanitária e inspeção devem acontecer regularmente nos estabelecimentos que trabalham com produção e comercialização de alimentos;

  • Deve ser feita a limpeza adequada de moedores de cana de açúcar, açaí e alimentos similares.


Para prevenir essa e outras doenças, evite também consumir alimentos e bebidas (em especial, caldo de cana e açaí) comercializados em locais onde há baixa higienização.


Caso você note sintomas característicos da doença de chagas, procure atendimento médico e não deixe para depois, pois isso ajuda a identificar doenças de forma precoce e consequentemente, evita a piora da situação e as lesões permanentes aos órgãos.


Referências: Ministério da Saúde, Biblioteca Virtual em Saúde, Dr. Drauzio Varella, Manual MSD, Bem Estar



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