Doação de Órgãos


A doação de órgãos continua sendo um assunto delicado justamente pela falta de comunicação sobre o assunto e pela falta de informação e entendimento de que o doador não é prejudicado de alguma forma.


Para muitas pessoas que estão na lista de espera para um transplante de órgãos, receber um novo órgão é a única esperança de continuar a viver.


Lembrando: O transplante de órgãos e tecidos é um procedimento cirúrgico onde acontece a troca de um órgão ou tecido doente por um órgão ou tecido saudável, recebido de um doador.


A doação de órgãos e tecidos pode ser feita a partir de um doador vivo ou de um doador falecido, havendo, no entanto, regras diferentes para cada um deles.


Doador Vivo


A doação de órgãos a partir de um doador vivo é feita de forma a garantir que a pessoa não terá problemas de saúde ou interferência na qualidade de vida após a doação, por isso, um doador vivo pode doar apenas um dos rins, parte do fígado, parte da medula e parte dos pulmões. A doação é feita de livre e espontânea vontade do doador, quando o mesmo atende aos requisitos de saúde para a doação.


Normalmente, a doação de órgãos partindo de um doador vivo tem como receptor um parente ou uma pessoa próxima ao mesmo. De acordo com a legislação, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores, se o doador e o receptor não forem parentes, é preciso autorização judicial.


Doador Falecido


Quando o doador não está mais vivo, a situação fica bem mais delicada, pois a decisão precisa partir da família, levando em consideração a vontade do doador, caso ele a tenha revelado anteriormente.


Não é sempre que uma pessoa falecida pode ter seus órgãos e tecidos doados, na verdade, a doação só pode ocorrer se a causa do falecimento for morte encefálica (ou morte cerebral), que é quando há a perda de todas as funções cerebrais, podendo este doador fazer as seguintes doações:


Órgãos: rins, coração, pulmão, pâncreas, fígado e intestino.


Tecidos: córneas, válvulas, ossos, músculos, tendões, pele, cartilagem, medula óssea, sangue do cordão umbilical, veias e artérias.


Importante: Se uma pessoa faleceu de parada cardiorespiratória, ela ainda poderá doar tecidos, mas não órgãos.


Pessoas que faleceram com diagnóstico diferente de morte encefálica não podem ter os órgãos doados, pois a falta de circulação sanguínea e transporte de oxigênio danifica os órgãos, tornando-os impróprios para uma outra pessoa recebê-los.


Entendendo a Morte Encefálica


Como falamos brevemente mais acima, a morte encefálica (ou morte cerebral) é diagnosticada quando há a perda total da função cerebral, normalmente causada por severas lesões ao cérebro, como em casos de AVC ou traumatismo craniano.


Quando ocorre a morte encefálica, mesmo que a atividade cerebral já não exista mais, o coração da pessoa continua a bater, e isso ocorre porque, nessa situação, o paciente está ligado a um aparelho chamado de “ventilador pulmonar”, esse aparelho leva o oxigênio até os pulmões e controla a quantidade de ar que entra e sai deles.


Com a ajuda do ventilador, o oxigênio continua a chegar à circulação sanguínea e o coração continua a bater. Sem a ajuda do ventilador e demais aparelhos, o coração para de bater imediatamente e, mesmo com a ajuda dos aparelhos, o coração só continua a bater por algumas horas após a morte cerebral.


Os fatos de a temperatura corporal do paciente manter-se acima de 35 °C e de o coração continuar a bater fazem com que alguns familiares achem que o ente querido ainda está vivo e que a retirada de órgãos para doação será o acontecimento que irá levá-lo ao falecimento.


É importante lembrar que, uma vez que estiver confirmada a morte cerebral, mesmo que o coração continue a bater com a ajuda dos aparelhos por um tempo limitado, infelizmente o paciente já faleceu, e assim, não poderá falecer por conta da retirada dos órgãos e também não sentirá qualquer tipo de dor ou sofrimento com o procedimento de retirada dos órgãos para o transplante.


O estado emocional dos familiares também é um fator de peso para a tomada de decisão. Após os médicos confirmarem a morte encefálica, os familiares podem ficar muito abalados e considerarem invasivo ou desrespeitoso o questionamento sobre a doação de órgãos naquele momento.


Infelizmente, embora não seja o momento mais adequado, o questionamento por parte dos médicos não pode demorar, pois o coração do paciente irá parar de bater em poucas horas e então os órgãos não poderão mais ser doados.


Essa situação é muito delicada, por isso, é importante que o doador converse com a família a respeito da sua decisão solidária, pois é a família quem irá tomar a decisão final sobre a doação ou não dos órgãos de um doador falecido.


Caso a família não autorize a doação de órgãos, os órgãos não serão doados, mesmo que o paciente esteja completamente apto à doação.


O diagnóstico de morte encefálica é seguro, é realizado por dois médicos diferentes e passa por uma série de exames para confirmar a ausência de atividade cerebral. A familia sempre pode solicitar aos médicos que lhe expliquem a situação de forma detalhada e lhe expliquem quais exames foram realizados, com qual finalidade, e como foram realizados, para que tenham um melhor entendimento.


O que acontece com os órgãos transplantados?


No Brasil, existe o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que é responsável por controlar e coordenar todo o processo de recebimento e distribuição dos órgãos doados.


Os pacientes que precisam de transplante de órgãos são inscritos em uma lista, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo SNT.


A lista é única e nacional, no entanto, as distribuições dos órgãos doados são preferencialmente feitas dentro do estado onde o órgão foi doado, isso acontece por questões de logística, levando em consideração o tempo de isquemia do órgão, ou seja, o tempo que aquele órgão sobrevive após ser retirado do corpo do doador, e também levando em consideração o tempo de transporte do órgão até o local onde está o paciente receptor, assim como o tempo de realização da cirurgia de transplante.


A ordem de inscrição nessa lista é um dos critérios para definir qual paciente receberá o órgão doado, mas não é o único, a compatibilidade do tipo sanguíneo entre o doador e o receptor, tempo de espera entre o transporte do local de doação até onde o paciente receptor está e gravidade do estado de saúde dos pacientes que estão na lista também são critérios de classificação.


Os pacientes com um estado de saúde mais debilitado, correndo maior risco de morte têm prioridade.


Em caso de falecimento por morte encefálica onde a família autoriza a doação do órgãos, o hospital entra em contato com a Central de Transplantes da Secretaria de Saúde do estado para dar início ao processo de transplante, seguindo todos os protocolos.


Curiosidade: Nós falamos acima sobre o tempo de isquemia dos órgãos, confira abaixo por quanto tempo os principais órgãos doados conseguem sobreviver fora do corpo humano, em condições especiais, até a realização do transplante.


Coração: 04 horas;

Pulmão: 04 a 06 horas;

Fígado: 12 horas;

Pâncreas: 12 horas;

Rim: 48 horas.


Quem não pode ser doador?


Existem algumas condições que impossibilitam a doação de órgãos e tecidos por poder comprometer a saúde do paciente que recebê-los.


Uma pessoa não pode ser doadora caso tenha ou tenha tido:


  • Doenças infecciosas não curáveis;

  • Câncer generalizado;

  • Doenças que tenham comprometido os órgãos.


Além disso, pessoas sem identidade e pessoas com menos de 21 anos sem autorização dos pais ou responsáveis não podem doar órgãos e tecidos.


E se eu quiser ser doador?


Para isso, é muito simples, basta conversar com a sua família e expressar o seu desejo de ser doador de órgãos e tecidos.


Lembre-se, um único paciente doador já é capaz de salvar muitas vidas.


Fontes: Ministério da Saúde, Secretaria Geral, Biblioteca Virtual em Saúde, Programa Estadual de Transplantes - RJ



#CuidamosDissoPraVocê



 

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